Nasce o herói improvisado
Querido filho pranteado da fortuna e do acaso
Avante, um por todos e todos por um!
Ficam das lutas ao longe
Duas medalhas pregadas em peitos de bronze
E as bandeirinhas e as rifas
O foguetório e a fanfarra
Meio velório, meio farra
O sentimento dos teus pares
Herói dos escolares e das lavadeiras
Ó Deus das moças solteiras
Que rezam ao teu retrato sobre a penteadeira
Eu te conheço, sei o preço da fama
E não esqueço
Que deitei em tua cama em teu berço
Eu sei teu preço, eu te conheço
Meu oportuno herói
Eu lavo as mãos, Pôncio cônscio pilhado em flagrante
Lavo as mãos e prossigo adiante
Eu por mim mesma
Todos por mim, meu oportuno herói
" A tese de Eros e Civilização, mais completamente desenvolvida no meu livro One Dimensional Man*, era que o homem só podia evitar a fatalidade de um Estado de Bem - Estar Social através de um Estado Beligerante mediante o estabelecimento de um novo ponto de partida, pelo qual pudesse reconstruir o sistema reprodutivo sem aquele "ascetismo do mundo interior" que forneceu a base central para a dominação e a exploração. Essa imagem do homem era a negação determinada do super-homem de Nietzche: um homem suficientemente inteligente e suficientemente saudável para prescindir de todos os heróis e virtudes heroicas, um homem sem impulsos para viver perigosamente, para enfrentar o desafio; um homem com a boa consciência para fazer da vida um fim em si mesmo, para viver com alegria uma vida sem medo. [...] a nova direção de progresso dependeria completamente de oportunidade de ativar necessidades orgânicas, biológicas, que se encontram reprimidas ou suspensas, isto é, fazer do corpo humano um instrumento de prazer e não de labuta. " (MARCUSE, p. 15-16, 1955)
Como pode a letra de uma música contemplar um parágrafo central da pesquisa de um célebre pensador? Ainda escuto que para que tal entendimento ocorra, é preciso estar em um determinado local em um determinado momento, e que esta ocorrência é única. Concordo que a ocorrência seja única por conta do indivíduo que aprende aquele contexto, considerando sua história que proporciona disposições para tal absorção. Mas de certa forma estamos todos dimensionados numa única realidade, para Marcuse opressora, sua propagação nos indivíduos ocorre por diversas formas,subjaz em todas as dimensões da realidade, captadas de diferentes modos por nós seres humanos.
Por isso ocorre estas diferentes expressões da mesma problemática. Algumas descritas em versos dentro de um contexto sonoro, outros por estritos textos, densos e em muitos momentos sombrios, devido a vivencia histórica do autor. Ambos com o mesmo desejo de reativar algo perdido na ambiguidade do desenvolvimento do ser humano.
É, tb dizem que Raul Seixas tb compos muito tendo pensado no que leu de alguns pensadores rs. É muito massa de, alguma forma ou de outra, haver essas relações da musica brasileira com autores de filosofia né? abraço
ResponderExcluirRaul entre tantos outros artistas! Parece que atualmente a Filosofia perdeu seu caráter de inovação e de falar sobre as problemáticas do nosso meio. Na música e na literatura parece que ocorre o contrário, a realidade é evidenciada por músicos e poetas, enquanto a Filosofia continua com suas velhas feridas abertas.
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