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domingo, 1 de maio de 2011

Que é imagem?

 


Obras de Victor Arruda



Cansei dessa idéia de as primeiras impressões serem axiomáticas. A imagem carrega em duas partes este papel importante, o primeiro expondo realmente o que é, e segundo expondo o que pretende mostrar. No primeiro caso, para mim, a imagem que realmente devia ser é a guiada pela naturalidade, nas ações mais conscientes e inconscientes observamos o papel real que cada um representa. No segundo caso é onde encontramos os atores natos, neutralizam-se e se moldam a partir do sistema em que se encontram, aprendem com argumentos verdadeiros á prosseguir sua imagem longe de seu verdadeiro ente. O problema muitas vezes não é conhecer o ente, é aceitar e expô-lo.
 Grande parte de nossos dias passam em palcos, nos relacionamos com tudo e todos que estão e não estão ao nosso redor, em cada ato mostramos de alguma maneira nosso carácter, nossas emoções e angústias. Mas a vida não é só feita de palcos e exposições, por mais que o monólogo seja intenso a platéia ainda está presente para te assistir. Ao sair de cena devemos nos deparar com o que não está escrito no texto mas, te ajuda a dar sustentabilidade aos atos executados, neste aspecto o primeiro e o segundo caso são atores e não há contradição em afirmar (segundo Constantin Stanislavski), a diferença consiste na importância que a imagem acarreta para cada um.
    ´´ Não há sistema. Existe apenas a Natureza. O objetivo da minha vida tem sido chegar tão perto quanto possa ao assim chamado sistema, isto é da natureza da criação.
 As leis da arte são as leis da Natureza. O nascimento de uma criança, o crescimento de uma árvore, a criação de uma personagem são elementos de uma mesma ordem. O estabelecimento de um sistema, isto é, as leis do processo criativo, é essencial porque no palco, pelo fato de ser público, o trabalho da natureza é violado e suas leis são infringidas, o sistema re-estabelece estas leis, recoloca a natureza humana como a norma (...)`` Stanislavski
 A naturalidade deve ser projetada na imagem, por isto muitas vezes não consigo criticar a arte contemporânea, por mais abstrata que seja é o reflexo do mal estar social que vivemos. O problema é que nos entramos na ociosidade, o clima frio e lúgubre atormenta meus princípios. A identidade é conhecida, ou apresentamos naturalmente a identidade no palco, ou buscamos com a neutralidade renegar e deixá-la de lado assumindo um novo papel. Sinto falta de apresentações calorosas, ao menos sinceras, ouvir um ´´olá`` animado, um beijo no rosto com vontade e um abraço onde não há medo de entrega. A liberdade tornou-se um produto mercantilizado, perdemos sua real imagem e vivemos liquidamente liquidando nossas mentes e valores. Temos liberdade de escolher como e o que de nossa identidade será exposta na imagem, infelizmente perdemos princípios, não pensamos em revoluções, existe apenas volta há estágios, retrocedemos e voltamos inúmeras vezes ao ponto de partida que não é considerado seu próprio referencial, sua identidade, caráter, valor.  

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