Esse ano não armei meu berimbau, não toquei São Bento Grande, Santa Maria, Benguela, muito menos Iúna, verga, cabaça e caxixi se distanciam cada vez mais no meu quarto. Quando trouxe pra Marília o maleiro do ônibus perguntou se era uma arma, comicamente respondi que podia ser, depois quando resolvi tocar não consegui montar, chamei uns amigos para ajudar e finalmente com 3 pessoas armamos o berimbau.
O som era o mesmo, mas a violência de toda sua vinda e montagem resultou fortes mudanças em suas fibras. Meu desejo de lembrar as velhas rodas, o conforto daquele som simples e delicado que me proporcionava felicidade, rapidamente se dissolveu em tristeza. O berimbau estava mau rezado, aquele esforço não era sinal de coisa boa, todos muito insistentes juntos resistiram e montaram o instrumento, depois daquele dia a verga nunca foi a mesma.
Existe um mito dizendo que o berimbau surgiu do assassinato de uma bela jovem diante de um rio ao saciar sua sede, de seu corpo nas águas o instrumento se torna, e de seu espírito emerge o som. Um ato violento em meio plácido originou o instrumento tocado em rodas de capoeira, coordenando o ritmo do jogo. Enquanto tocava percebia que o ritmo estava em minhas mãos, se a roda era pra ser tranqüila ou mais rápida conseguia controlar, tinha o poder bem canalizado.
Agora não sei onde esta força malandra, simples e delicada se encontra, sua ressonância ecoa mas, não vibra, esta não é uma lei física que gostaria de quebrar, não tenho condições para isso mas, estou sem ar para reconstruir suas leis. (Lindas palavras do Mestre ToniVargas neste vídeo)
Isso aqui tá DIVIIINO, Bru!
ResponderExcluirEscreva mais!! Sua escrita me ajuda a encontrar minha inspiração perdida em algum beco por aí!
saudades.